terça-feira, 12 de outubro de 2010

Contexto histórico mundial- Que mundo a moda vivia na década de 70?



A década de 70 foi marcada por importantes transformações políticas, econômicas e sociais no mundo, que passava por crises econômicas, golpes militares, guerras, violência política, revoluções e muitos conflitos.
 Tal contexto influenciou os grandes costureiros da época a determinar um estilo que deu continuidade a contracultura da década de 60, após o fim da guerra do Vietnã, a moda foi um um reflexo do que era visto numa sociedade conturbada e transformadora.
Em Portugal, aconteceu a Revolução dos Cravos ( 25 de Abril de 1974 ), que obteve grande aceitação popular, promulgou-se assim uma Constituição altamente democrática, o que causou a impressão de que logo  tornaria-se um país socialista, tamanha a força política dos comunistas. Por consequência também desta revolução, as colônias portuguesas na África: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe conquistaram sua independência. O Timor-Leste também proclamou a sua independência, em 1975. Neste mesmo ano começou uma Guerra Civil no Líbano. em decorrência dos conflitos religiosos entre cristãos e muçulmanos e também pela exigência de ampliação dos direitos politicos (Naquela época quem detinha o poder naquele país eram os cristão que representavam a minoria rica da população).
Em 11 de setembro de 1973 aconteceu um golpe militar no Chile, que passou a viver um regime ditatorial com Augusto Pinochet, o qual derrubou o governo de Salvador Allende. Pinochet conquistara tal feito ao invadir o palácio do governo, com o apoio das Forças Armadas e o bombardeando, de forma que ocasionou a morte de Allende.
Na União Soviética, sob a gestão neo-stalinista de Brejnev, a economia caminhara progressivamente, o que fez o exército vermelho ser o mais poderoso e influente no mundo,  os norte-americanos, que preferiram tomar o caminho da paz, nas gestões Richard Nixon, Gerald Ford e Jimmy Carter.
 O mundo vivera a Guerra Fria, onde vários países se envolveram nos conflitos militares daquela época. Um deles foi quando Angola e Moçambique declararam guerras civis (a guerra civil de Angola e a Guerra de desestabilização de Moçambique). Ao mesmo tempo, intensificaram-se as lutas de libertação da Rodésia (que ascendeu à independência em 1980) e da Namíbia, que só se libertou da África do Sul com a derrocada do regime do apartheid, em 1990.
O clima nos EUA não estava bom para a política, quando em 9 de agosto de 1974 – Após o  escândalo político no caso Watergate -  descobriram que a sede do partido democrata estava sendo espionada por assessores diretos do presidente Richard Nixon. Isso fez com que ele renunciasse à presidência dos EUA.
Porém, antes de renunciar, Nixon em 1973 determinou o fim da Guerra do Vietnã, que derrotou os Estados Unidos da América. Pode-se dizer que a Guerra contra o Vietnã foi uma mostra de que o maior poder bélico não vence uma boa estratégia. Quando os EUA entraram na guerra, investiram muito em armas sofisticadas, e chegaram a mandar cerca de um milhão e meio de soldados para o combate. A verdade é que eles conseguiram dizimar muitos vietnamitas, mas em contrapartida, comparado ao aparato militar que os americanos possuiam, eles tiveram baixas muito mais significativas. O maior segredo para o Vietnã ter conseguido ganhar a guerra foi o grande conhecimento de seu território. Sabiam os esconderijos, e , por isso, tinham estratégias muito bem elaboradas contra os seus inimigos.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Zuzu Angel como um marco na moda brasileira setentista


(continução post anterior)
Por outro lado contrapondo-se a toda essa evolução econômica, esta também foi à época mais implacável do regime militar. Médici combateu a guerrilha a ferro e fogo, de modo que no seu mandato os principais dirigentes da luta armada foram mortos, e a lista de desaparecidos políticos cresceu de maneira absurda, trazendo reflexos até hoje com a realização de campanhas e investigações para se saber o que realmente aconteceu naquele período.
Foi também no governo do presidente Médici que à moda do Brasil criou um aspecto contestador e político. A “precursora” – podemos chamar assim - foi a estilista Zuzu Angel, que iniciou a sua carreira na década de 70 e no seu auge sofreu com uma grande tragédia familiar: Stuart, filho de Zuzu, foi morto brutalmente pelo governo por causa da militância que ele exercia contra o regime ditatorial. A partir de então ela iniciou uma grande batalha que tinha por objetivo enterrar o corpo de seu filho.
Simbolos contra à ditadura

Simbolos contra à ditadura


Antes destes acontecimentos, a moda da mineira Zuzu caracterizava-se na utilização de materiais brasileiros, com linguagens pessoais e cores tropicais. Ela foi a primeira a usar a renda casimira. Misturou a renda de algodão com seda pura, usou chita com temas regionalistas e folclóricos. Trouxe também para a moda pedras brasileiras, fragmentos de bambu, de madeira e conchas. Desta forma ela incorporou na moda a qual criou, na ecologia e a brasilidade. E devido ao acontecido na vida pessoal da estilista, refletiu-se no trabalho dela como metáfora para simbolizar a história de Stuart; ela usou elementos como anjinhos, crucifixos e tanque de guerra na coleção que criara.
Em 1974, Geisel e seu vice, o general Adalberto Dos Santos, assumiu a presidência do Brasil, os quais prometeram uma “abertura lenta, gradual e segura”. Foi então que o Brasil mergulhou-se em uma crise econômica que se agravou com a crise mundial do petróleo - o que acarretou o fim do “milagre econômico” – e trouxe dificuldades econômicas, financeiras e aumento da inflação. Como forma de conter a crise, o governo fez empréstimos externos para financiar a produção, porém a dívida externa do país cresceu e com isso o “dragão” da inflação - que antes estava estagnado e adormecido - resolveu acordar e crescer de maneira assustadora, fazendo com que os salários dos trabalhadores que dantes já eram baixos, alcançassem ainda menor poder de compra.
Cansados de tantos anos de regime autoritário, repressor e que estavam levando o país ao declínio econômico, a população se revoltou e, em 13 de maio de 1978, deu-se inicio em São Bernardo a uma greve de operários, que influenciada por sindicalistas logo se alastrou por todo o país. Mesmo com a repressão do governo e prisão de vários sindicalistas a população não se intimidou: havia dentro deles uma voz que gritava por liberdade, verdade e justiça.
Em 1979, o general João Baptista Figueiredo assumiu a presidência do Brasil. Ele foi quem pronunciou que faria “deste país uma democracia”, onde deu continuidade à abertura política iniciada pelo presidente Geisel e sancionou a Lei da Anistia, como também restaurou o pluripartidarismo. Geisel pressionou o Congresso a não aprovar a emenda constitucional que restabelececia a eleição direta para a Presidência da República, mas respeitou o resultado do Colégio Eleitoral que elegeu o candidato oposicionista Tancredo Neves, para substituí-lo na chefia do governo. Com isso deu-se início ao movimento das “Diretas Já”.

Contexto histórico no Brasil: Ninguém segura este país.



           
Leila Diniz causando polêmica na época


            Os anos 70 foi um reflexo da década de 60, que depois do golpe militar em 1964, o Brasil ainda vivera um regime ditatorial.
            A sociedade brasileira encontrava-se sob um cenário anti-democrático, a repressão fazia parte do dia-a-dia do país. Isto se refletiu em vários segmentos como no cinema, televisão, música, entre outros.
            A política nacional desta época procurou defender uma imagem de um Brasil grande, promissor, rico “Ninguém segura este país” e o slogan “Brasil: Ame-o ou deixe-o” foram uma bandeira defendida pelos generais. Dessa forma a imagem de um governo ufanista prevalecia e nessa época ainda foi reforçada - com a conquista do tricampeonato de futebol pelo Brasil- , com o intuito de causar na população uma sensação de êxtase,  para assim esquecerem as atrocidades cometidas pelo governo.
Durante o governo do presidente Emilio G. Médici (1969-1974) o Brasil tentou esconder uma realidade de falso glamour, com o conhecido “milagre econômico” que fez a produção do país crescer, modernizando-se num ritmo espetacular, contendo a inflação que sempre foi um problema para o governo, e também aumentou-se o investimento de capital estrangeiro e implantaram-se multinacionais no país. Isso também ocasionou nas mulheres um desejo de ser independente, consumindo e exigindo cada vez mais uma moda prática, individualista e versátil. Não é à toa que este desejo de consumo fez aumentar a produção industrial do vestuário em 9,1% no país.

domingo, 10 de outubro de 2010

Nos embalos de uns anos desvairados


Oi gente! Fiz uma pesquisa sobre Moda na década de 70,  para  um trabalho do Senai, e como foi super bacana, vou postar aqui no meu blog com todas as informações possíveis sobre esta década. Se você tem alguma contribuição, envie um email para moarabrasil@gmail.com. Valeu!


Nesta pesquisa elaborou-se, para compreender de forma geral, um estudo da moda na década de 70, dentro de seu contexto histórico - político, econômico e cultural. O objetivo principal foi entender a cultura daquela época, o cinema, a música do momento, os ídolos desta geração, como todo o universo setentista, em que viviam os principais estilistas e movimentos da moda naquele período.
Dentro do contexto histórico analisou-se: o quadro político, econômico, científico, cultural mundial e nacional, e seu reflexo no comportamento daquela juventude. Coletaram-se fatos históricos mais importantes do mundo e do Brasil, o momento político que o país estava passando e que exerceu influência significativa na Moda.
É neste sentido que se abordaram questões como “a partir de que momento a contracultura, a moda de rua, os movimentos culturais como o Glam Rock, o movimento punk, e a onda Disco, influenciaram, de fato, a criação dos grandes costureiros e butiques estrangeiras?”, como também as criações de moda brasileira.
 Assim, acredita-se que todo o contexto histórico, o movimento da contracultura, as revoluções, crises, guerras, foram cruciais para o imaginário criativo do sistema da moda mundial, nas produções dos principais estilistas da década setentista